terça-feira, 28 de abril de 2009

porque ontem choveu


chover na alma
para molhar o corpo

__*__
A chuva molhava-me o rosto, gelado e cansado.
As ruas que a cidade tinha já eu percorrera
Meu choro de moça perdida gritava à cidade
que o fogo do amor sobre a chuva
há instantes morrera...

A chuva ouviu e calou o meu segredo à cidade
e eis que ela bate no vidro, trazendo a Saudade.
[Mariza, Chuva]

segunda-feira, 27 de abril de 2009

socorro, estou a apaixonar-me

é isso mesmo.
e puff, fez-se o chocapic!

[qualquer relação que esta última frase possa ter com a minha vida pessoal/académica é pura coincidência :) ]

bublé, a minha canadiana (canadiana = muleta, vá)



p'ra quem não sabe, eu AMO este senhor.
transmite-me uma paz que não consigo explicar... é delicioso.
por isso, aqui fica a melhor noticia do meu dia: um novo cd/dvd pra eu me divertir!
e pronto, só porque não tenho sono, aqui fica a novidade.
e a frase do video, que é a melhor para mim neste momento, é a que o meu Miguel Bolhas diz no fim: 'there is no try - there is DO or DO NOT.'

sexta-feira, 24 de abril de 2009

segredos

Pesa tanto.
É sentir que nada vale a pena, mas ainda assim pomos a nossa alma numa migalha.

É sentir o cheiro da relva de perto, do 'musguinho', e rir por fazer flexões nas pedras tortas. É chorar, chorar abafado, cuspir a vida toda e voltar a engoli-la. É azul, muito azul, com muita lama, muita água, muitas pedras. Acima de tudo, pedras. Imóveis, pesadas. Pesa tanto.

Valores que marcam. O poder das palavras, as palavras do poder. Aprender a cumprir sentença eterna de um amor que não se sabe por que se tem. Caminhar perdido num bosque, sabendo apenas como voltar para trás... e prosseguir em frente, pelo desconhecido.

Eu não fui feita para isto. Não é a minha matéria, não é a minha madeira. Sou feita de fogo e ar, queimando e apagando as velas num sopro. Não sou assim.

E após este tudo, esta migalha, pesa tanto.
Não sei o que dizer, porque não percebo. Não sei. Não quero.
Até os fados são nossos, e por eles também choro. Não me peçam para esquecer.
Porque no fundo é tudo sempre um sentir 'que um tempo acabou', essa 'primavera de flor adormecida'.

E eu sei que o que vivi não volta, porque voou.
Mas também espero não o perder, e voar com ele.
Ad eternum.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

de água para água


a água cai de cima para baixo
mas no fundo
é tudo água.








'seja como a fonte que transborda
e não como o tanque
que contem sempre a mesma água'

in Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho






quinta-feira, 16 de abril de 2009

porque (quase) fiz directa na quarta feira

corre-me nas veias
o teu álcool acolhedor
tão seguro esse sabor
de paixões ultrapassadas.

vem deixar-me bêbeda
em noites loucas de luz diurna
em dias sóbrios de calor nocturno

com muita mágoa pra contar depois
quando, magoada, a lua se queimar
e o horizonte
nos partir em dois.

*

terça-feira, 14 de abril de 2009

quase sempre esse alguém não é quem deve ser

Queria saber o que me espera no amanhã, quando acordo, pura.
Mas a pureza fica adormecida na almofada, e o 'eu' percorre a cidade chuvosa, abrigada na esperança.

'... quando acordo e não sei quem eu sou quem me tornei, eu começo a bater mal... o teu bem faz-me tão mal.'

Cada reviravolta faz-nos tombar no tombo tombado, criar novos reflexos, novas defesas, novos jeitos de ignorância. Brutalidades da alma, é o que é. Desconfio que trago no peito colada a incerteza do passado vivido, de tão duramente rotineiro e escasso. Este ano tem corrido por mim sem o notar, mas tem deixado marcas tão duras que é impossível esquecer o tempo que passa. Por outras palavras - a dor que me usurpa é maior que a esperança que alcanço em cada sonho, os tombos são maiores do que os vôos, as lagrimas mais ardentes que as paixões.

'e acaso nos tocar o azar, o combinado é não esperar... porque o nosso amor é clandestino...'


Estou de bem mal com a vida, porque me acostumei a ela.
E sinceramente, ver-me sorrir vai ser um privilégio, até para mim quando olho o espelho.
Vou dormir, pra ver se encontro a pureza nos lençóis e me reinvento melhor, porque odeio-me assim, torta de jeitos modestos e incapaz de sugar os minutos belos.
O que é preciso é bombons, sorrisos, toques. Um olhar que muda, um sorriso. Uma oportunidade. Qualquer coisa, por favor.

'eu faço e aconteço, eu posso, eu mando!'

É preciso acertar com a vida, que isto assim não vai lá... Cada minuto contado é um sorriso suprimido, e eu preciso de sol para florescer. Vá lá, vamos mudar. Não é por mim, é por eles.

'se era para ler a Mariana entraram no sítio errado,
é que ela está numa casa ali ao lado.
Andamos todos uma casa ao nosso lado'.



*excertos de músicas dos Deolinda =)

sábado, 11 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

it takes (more than) two to tango


É tão simples quanto isto - enquanto dura não damos valor, não sentimos falta, não sabemos aproveitar. Até podemos ter a noção de que é finito, mas comportamo-nos como se fosse mesmo infinito. Como se durasse para sempre (sendo o sempre o nosso limite, o nosso desejo, a nossa vontade), como se fosse o que nós quisessemos. Só pensamos em nós. Só pensamos até onde nos apetece ir, o que nos apetece aguentar, o que vamos decidir. NÓS.

Esquecemo-nos muitas vezes que são precisos dois para dançar o tango.
E ainda é preciso que montem a pista e coloquem a música.

Esquecemos que tanto do que está por trás completa aquilo que vemos e não sabemos aproveitar.
Mas também, qual era a magia de fazer tudo e saber tudo e viver tudo e não nos arrependermos de nada?
Se há coisa que o comum mortal tem de mais comum é o facto de todos pensarmos 'e se'.
Que seria de nós sem esse comum factor que nos faz ter mais vontade de viver para (re)viver diferente e mudar, mudar tudo e fazer melhor, crescer, erguer a alma, cerrar os punhos e batalhar? Nem que seja para voltar a cair, já valeu a pena.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

néquices

MAR.iana diz (2:56):
TENHO SONOOOO
pedro diz (2:57):
é desculpa para tudo
pedro diz (2:58):
tou msm a ver, : "mariana vamos ter uma noite de puro prazer carnal onde te prometo levar ás nuvens" ao que tu respondes "tenho sono".
lá esta
são estas coisas que levam ao divorcio em portugal.

*

segunda-feira, 6 de abril de 2009

do tempo que resta


Corro lado a lado com o comboio que parte, como se assim minimizasse o tempo que vais estar longe de mim. Ele serpenteia, recto, nos carris do futuro que nos separa.

E a minha voz dissipa-se, já nem adeus consigo dizer, perdida entre as lágrimas que, sem controlo, escorrem pelo lado esquerdo da minha face - o lado do coração. Por sua vez, o lado direito permanece intacto, selado pelo ultimo beijo que me deste, em tom sério de despedida dos que são mais do que amantes, dos que são almas correspondentes neste circuito sem cúmplices.


Sinto-te descolar de mim à medida que o comboio se afasta.
Longe, sempre perto. Até quando?
Mal a tua sombra se dissipa, serpenteando nos carris, posso ter a certeza de que, bem antes do cigarro que fumo se apagar num fumo que espelha a alma queimada, me terás esquecido.

Porque linhas paralelas de um carris não se encontram.
E eu sei ver quando partem para não mais voltar, porque eu sempre o fiz.

domingo, 5 de abril de 2009

reAprender






















encontrei a minha sombra no passeio em frente
ao jardim onde repousava o meu cadáver.
olhava-me triste
desiludida
mas não chorava pela morte
porque sabia que não tinha acontecido.

estava eu a morrer aos poucos quando me apercebi
de que podia viver.
levantei-me do caixão
ergui a alma
de punhos cerrados e olhar de fera
atravessei a rua
e fui em direcção ao sol
fundir-me à sombra de mim
e (re)aprender a ser eu.

sábado, 4 de abril de 2009

(clan)destino



eu queria trazer comigo a certeza de que é real
este peso pesado no peito
esta crença de não saber de mim
este volver de entranhas que me canta ao ouvido
a música do que eu era antes do amanhecer

eu queria ser pequena e viajar no teu dorso
enquanto a noite soprava aos ouvidos a inocência,
mas contaram-me as histórias dos trilhos
das paixões
dos alpendres das madrugadas em casarões abandonados
onde as cigarras prometiam um futuro doloroso
e a relva, perpendicular, sussurrava uma clandestina felicidade
o que fazer com o conhecimento
ignorante
que viaja pela circulação do ser que fui não sendo
corpo deitado na relva do ontem?

e flores na mão direita
vermelhas, do sangue chorado
e pés a tilintar
como chaves da porta do futuro anterior a mim
com o nervoso das lágrimas que ardem
sem saber

quero saber
quero sair
e vou ficar
sem conhecer
sem perceber
a acreditar.
estou de FÉRIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS !


pronto, era só.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

eu devia estar a estudar para linguística

[...]
Aprendemos que respirá-La é não A ter.
É um tombar que se ganhar em se crescer.
E cada alma é uma vitória derrotada,
sem perder.



[30.03.09]
*para quem merece.