segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

before you go...can you read my mind?


Consegues ler a minha mente?
O que se passa nas entrelinhas, a paixão que desvanece, o amor que me merece?

Consegues olhar-me e descrever-me, sem hesitação ou medo de errar? Não quero que acertes, quero que tentes. Como equação básica sem solução permissiva.

Consegues dizer-me o que sou, coisa que nem eu sei, sem sequer pestanejar em procura de uma definição? Não procures, encontra-me simplesmente.

Mau feitio, irreverente. Dura de roer, leva tudo à frente. Prepotente, convencida, exagerada. Romântica aniquiladora de sonhos. Vida enjaulada, carinhosa. Nervosa, esquecida, calma, preguiçosa. Faladora, exigente, ensonada. Amiga. Rio-me alto e choro a soluçar.



Percorro as ruas com a persistência dos errantes.
Percorro as ruas numa demanda. E gostava de te encontrar, calmo, pertinente. Sentado à beira rio com as flores no colo e a velhice em mente. Desejos de me acalmares nos teus braços, embalada, só porque é fim de tarde e sabes que eu adoro a ribeira em horas mortas. O sol pareceria ouro embebido no povo, e nós seríamos só mais uns entre tantos, mas tão mais nós.

Depois, ao anoitecer, aninhados um no outro, mergulharíamos na noite e aí sim iriamos descobrir tudo e mais alguma coisa do que em nós se esconde. Não desistas. Sem mapa, sem cidade, país, mundo. Vamos dar a volta a tudo o que seja infinito e encontrar nos reflexos a ausência da verdade. Vamos criar uma verdade, não sei bem porquê.

Escolhe-me a mim, descobre-me a mim, ama-me a mim. Fuma-me até eu ser só o teu ponto cintilante no escuro, bebe-me até que a cirrose nos separe. Porque o tesouro prometido só existe se acreditares na promessa. Eu só brilho se brilhares também. Mas o coração já não bate como antiagamente; parou no tempo e eu sou péssima executadora des resgates. Não me olhes assim, porque não penso dar-te, a não ser que desistas do último bombom e nos voltemos a encontrar noutras circunstâncias. Numa altura em que eu não esteja carente de mim e possa concentrar-me em ti, criar um nós, voar na tua mente pelo sofá da sala, selvagem, carnal. Até que rode uma chave na fechadura e tenhas de saltar da janela em boxers. Não, que eu nunca fui menina de trazer paixões para o território puro. Talvez não o faça porque por razões desconhecidas esqueci-me de onde moro e preciso que me leves a casa. Mas eu nunca te disse onde morava, terás de adivinhar. E já sabes que não passarás da porta.

Depois será tudo como eu quiser, mesmo que ambicione um céu lilás tu serás o pioneiro pintor de telas por imaginar. Trar-me-ás um mundo de algodão doce com borboletas faladoras, que cantem músicas do The Killers até que eu adormeça. E quando vir que te tenho na mão para te guardar no bolso, vou entrar na tua mão e fazer ninho no teu bolso. Porque seremos um do outro.
No teu carro ouviremos Michael Bublé nas alturas, e vais rir-te da minha demência juvenil. Vamos parar em frente ao mar a comer nuggets do MacDrive de madrugada e vamos contar um ao outro o dia de merda que enfrentamos com a força de um leão, porque sabíamos que a noite acabaria por chegar. Eu vou sempre esquecer-me de te avisar quando chegar a casa e tu ficarás sempre preocupado por eu não ter dito nada. Uma simples mensagem será o bastante para que acredites que te amo, porque serás capaz de ver o meu olhar através das palavras e tu sabes que os meus olhos não mentem.
Então chegarás a minha beira com bilhetes low cost para Londres e ficarás a ver os meus olhos, verdadeiros, brilharem, enquanto penso para mim mesma que encontrei o homem da minha vida. Insistirei em pagar a viagem, porque sou teimosa por defeito. Mas acabarei por concordar que voltei a acreditar no romance.
Aí completarei não-sei-quantos a teu lado, antíteses um do outro. Pescadores sem dores, navegantes sem luas. Seremos simplesmente nós, com a simplicidade que tenho vindo a buscar vida fora - e que insiste em fugir-me.


Sinto-me sozinha há tanto tempo.
Consegues ler a minha mente?
*

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