sexta-feira, 17 de abril de 2009

de água para água


a água cai de cima para baixo
mas no fundo
é tudo água.








'seja como a fonte que transborda
e não como o tanque
que contem sempre a mesma água'

in Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho






quinta-feira, 16 de abril de 2009

porque (quase) fiz directa na quarta feira

corre-me nas veias
o teu álcool acolhedor
tão seguro esse sabor
de paixões ultrapassadas.

vem deixar-me bêbeda
em noites loucas de luz diurna
em dias sóbrios de calor nocturno

com muita mágoa pra contar depois
quando, magoada, a lua se queimar
e o horizonte
nos partir em dois.

*

terça-feira, 14 de abril de 2009

quase sempre esse alguém não é quem deve ser

Queria saber o que me espera no amanhã, quando acordo, pura.
Mas a pureza fica adormecida na almofada, e o 'eu' percorre a cidade chuvosa, abrigada na esperança.

'... quando acordo e não sei quem eu sou quem me tornei, eu começo a bater mal... o teu bem faz-me tão mal.'

Cada reviravolta faz-nos tombar no tombo tombado, criar novos reflexos, novas defesas, novos jeitos de ignorância. Brutalidades da alma, é o que é. Desconfio que trago no peito colada a incerteza do passado vivido, de tão duramente rotineiro e escasso. Este ano tem corrido por mim sem o notar, mas tem deixado marcas tão duras que é impossível esquecer o tempo que passa. Por outras palavras - a dor que me usurpa é maior que a esperança que alcanço em cada sonho, os tombos são maiores do que os vôos, as lagrimas mais ardentes que as paixões.

'e acaso nos tocar o azar, o combinado é não esperar... porque o nosso amor é clandestino...'


Estou de bem mal com a vida, porque me acostumei a ela.
E sinceramente, ver-me sorrir vai ser um privilégio, até para mim quando olho o espelho.
Vou dormir, pra ver se encontro a pureza nos lençóis e me reinvento melhor, porque odeio-me assim, torta de jeitos modestos e incapaz de sugar os minutos belos.
O que é preciso é bombons, sorrisos, toques. Um olhar que muda, um sorriso. Uma oportunidade. Qualquer coisa, por favor.

'eu faço e aconteço, eu posso, eu mando!'

É preciso acertar com a vida, que isto assim não vai lá... Cada minuto contado é um sorriso suprimido, e eu preciso de sol para florescer. Vá lá, vamos mudar. Não é por mim, é por eles.

'se era para ler a Mariana entraram no sítio errado,
é que ela está numa casa ali ao lado.
Andamos todos uma casa ao nosso lado'.



*excertos de músicas dos Deolinda =)

sábado, 11 de abril de 2009

sexta-feira, 10 de abril de 2009

it takes (more than) two to tango


É tão simples quanto isto - enquanto dura não damos valor, não sentimos falta, não sabemos aproveitar. Até podemos ter a noção de que é finito, mas comportamo-nos como se fosse mesmo infinito. Como se durasse para sempre (sendo o sempre o nosso limite, o nosso desejo, a nossa vontade), como se fosse o que nós quisessemos. Só pensamos em nós. Só pensamos até onde nos apetece ir, o que nos apetece aguentar, o que vamos decidir. NÓS.

Esquecemo-nos muitas vezes que são precisos dois para dançar o tango.
E ainda é preciso que montem a pista e coloquem a música.

Esquecemos que tanto do que está por trás completa aquilo que vemos e não sabemos aproveitar.
Mas também, qual era a magia de fazer tudo e saber tudo e viver tudo e não nos arrependermos de nada?
Se há coisa que o comum mortal tem de mais comum é o facto de todos pensarmos 'e se'.
Que seria de nós sem esse comum factor que nos faz ter mais vontade de viver para (re)viver diferente e mudar, mudar tudo e fazer melhor, crescer, erguer a alma, cerrar os punhos e batalhar? Nem que seja para voltar a cair, já valeu a pena.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

néquices

MAR.iana diz (2:56):
TENHO SONOOOO
pedro diz (2:57):
é desculpa para tudo
pedro diz (2:58):
tou msm a ver, : "mariana vamos ter uma noite de puro prazer carnal onde te prometo levar ás nuvens" ao que tu respondes "tenho sono".
lá esta
são estas coisas que levam ao divorcio em portugal.

*

segunda-feira, 6 de abril de 2009

do tempo que resta


Corro lado a lado com o comboio que parte, como se assim minimizasse o tempo que vais estar longe de mim. Ele serpenteia, recto, nos carris do futuro que nos separa.

E a minha voz dissipa-se, já nem adeus consigo dizer, perdida entre as lágrimas que, sem controlo, escorrem pelo lado esquerdo da minha face - o lado do coração. Por sua vez, o lado direito permanece intacto, selado pelo ultimo beijo que me deste, em tom sério de despedida dos que são mais do que amantes, dos que são almas correspondentes neste circuito sem cúmplices.


Sinto-te descolar de mim à medida que o comboio se afasta.
Longe, sempre perto. Até quando?
Mal a tua sombra se dissipa, serpenteando nos carris, posso ter a certeza de que, bem antes do cigarro que fumo se apagar num fumo que espelha a alma queimada, me terás esquecido.

Porque linhas paralelas de um carris não se encontram.
E eu sei ver quando partem para não mais voltar, porque eu sempre o fiz.

domingo, 5 de abril de 2009

reAprender






















encontrei a minha sombra no passeio em frente
ao jardim onde repousava o meu cadáver.
olhava-me triste
desiludida
mas não chorava pela morte
porque sabia que não tinha acontecido.

estava eu a morrer aos poucos quando me apercebi
de que podia viver.
levantei-me do caixão
ergui a alma
de punhos cerrados e olhar de fera
atravessei a rua
e fui em direcção ao sol
fundir-me à sombra de mim
e (re)aprender a ser eu.

sábado, 4 de abril de 2009

(clan)destino



eu queria trazer comigo a certeza de que é real
este peso pesado no peito
esta crença de não saber de mim
este volver de entranhas que me canta ao ouvido
a música do que eu era antes do amanhecer

eu queria ser pequena e viajar no teu dorso
enquanto a noite soprava aos ouvidos a inocência,
mas contaram-me as histórias dos trilhos
das paixões
dos alpendres das madrugadas em casarões abandonados
onde as cigarras prometiam um futuro doloroso
e a relva, perpendicular, sussurrava uma clandestina felicidade
o que fazer com o conhecimento
ignorante
que viaja pela circulação do ser que fui não sendo
corpo deitado na relva do ontem?

e flores na mão direita
vermelhas, do sangue chorado
e pés a tilintar
como chaves da porta do futuro anterior a mim
com o nervoso das lágrimas que ardem
sem saber

quero saber
quero sair
e vou ficar
sem conhecer
sem perceber
a acreditar.
estou de FÉRIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS !


pronto, era só.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

eu devia estar a estudar para linguística

[...]
Aprendemos que respirá-La é não A ter.
É um tombar que se ganhar em se crescer.
E cada alma é uma vitória derrotada,
sem perder.



[30.03.09]
*para quem merece.

domingo, 29 de março de 2009

andar de carro, à chuva musical

Porque sou o 'cavaleiro andante'
que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou...

[Cavaleiro Andante - eterno Rui Veloso]

quinta-feira, 26 de março de 2009

é isto que se faz quando não há clientes para atender

os nossos olhares dançam
ao longe
e o mundo pára de repente
neste repente
só nosso

e é então que te sinto
longe
quebrado
tudo porque eu
eu
esqueci as horas adormecidas
no teu dorso
te esqueci capaz de me fazeres sonhar
acordada
enquanto a música soava
e os nossos corpos dançavam
ao perto.


[25.03.09]

quarta-feira, 25 de março de 2009

tirar o monstro das costas






















saudades de ter certeza que as certezas não existem.
saudades de lamentar sabendo que nada se lamenta.
(...)
é este dar sem receber
entregar e perder
que me faz sempre voltar.

*

[algures em dezembro de 2008]

segunda-feira, 23 de março de 2009

lamento, mas não consigo parar de chorar

[...]

o SONHO agarra-se ao sarro das velas e
a alba fustiga os vidros da janela onde
encostei a cara PARA CHORAR como as glicínias
regresso ao cais regresso
com este LAMENTO AO LEME OS PULSOS CANSADOS
pelo brilho cortante do sal aceso no vento que
transporta
e agita as silentes sombras de FERAS LONGÍNQUAS
e perfura o sono e a gestação fantástica dos lírios

magoadas águas
reflectindo CICATRIZES LANCINANTES de néons
o cais por fim o cais onde desembarcamos e
DE NOSSOS CORPOS NÃO NOS LEMBRAREMOS MAIS.


Al Berto, de «Alguns Poemas da Rua do Forte» - 1983

domingo, 22 de março de 2009

it's a cold and it's a broken hallelujah

É tudo um extenso areal
de cadáveres desconhecidos
que dançam
ao ritmo da música de outrora.
Não mais sei mover meus pés
ao ritmo deles.

Para quê ter medo de morrer?
Se são os mortos que no fundo dançam
e sentem
e sangram
a paixão da noite...
Se são eles que uivam
no enlace das memórias
e roubam das estrelas
o futuro que já aconteceu...

Que mundo este
em que os mortos vivem mais
do que os vivos que morrem...!

sábado, 21 de março de 2009

tudo só mais um fado

Se és vida
Nunca vivi.

Se és amor
Nunca te amei.



É tudo tão mais simples se não pensarmos.
Tão mais simples se nos deixarmos levar
e tivermos de pensar simplesmente porque faz parte do ciclo corrente das coisas,
e não porque sofremos por antecipação.

Acreditar.
É só isso que falta.


quinta-feira, 19 de março de 2009

qualquer coisa que não volta, que voou

estou ausente.

pior do que estar ausente dos outros, é estar ausente de mim.
é não saber em que porto seguro atracar, quando temos toda uma praia disposta a receber-nos, deitados no areal, o corpo vivamente morto.


são tantas as razões, que é cansativo nomeá-las e perco-me no facto de 'não ser'.
relembro as alturas em que um abraço resolvia tudo, em que chorar resolvia tudo.
hoje, um abraço complica mais e um choro inicia novos desafios, nesta roda viva de não saber mais como se fugir.


estou tão louca que já nem pra mim faço sentido e tenho medo de adormecer e não saber mais acordar, por não ter razões.
medo de morrer, não fisicamente, mas de morrer para mim, morrer para o sentido das coisas e a vida comum que nos espera, morrer para o palpitar da cidade às cinco da manhã numa rotunda. morrer para o nevoeiro que se instala, para o frio que nos percorre, para as conversas que se tem e se perde e já não se lembra - mas que ajudam. morrer para as frases que ficam na memória, para as mãos que se dão e seguram lágrimas, para o poder de uma roupa, para o poder de uma tarde num restaurante de fast food. morrer para o poder de um fado, para o força que uma fonte pode ter, morrer para um sorriso, morrer para uma lágrima. morrer para os opostos e para as certezas que só têm força por as julgarmos tão incertas. morrer para os cafés, para o mundo branco e baço e tresloucado, morrer para os Lusíadas, morrer para o sabor de um iogurte. morrer para as galinhas e os pius e toda a vida que se encerra nas pedras que choram. tenho medo de morrer.



morrer para o facto de chegar a casa e não saber dormir.
estou ausente de mim e preciso de paz.
mas quanto mais preciso, menos a quero.
e toda esta electricidade que me percorre, faz-me tão mal que me faz bem.








o teu bem faz-me tão mal


o teu mal faz-me tão bem











e agora vou dormir, se me dão licença.
que amanhã tenho outro dia para não-viver, vivendo.

sábado, 14 de março de 2009

sexta feira 13

Quando não sabemos para onde ir, a melhor coisa do mundo é deixarmo-nos perder.

Há sempre alguém que está cansado e não lhe apetece divertir. Há sempre alguém que tem de ir embora. Há sempre quem tenha alegria para dar a todos os outros que não sabem onde enfiaram a sua.
Depois acontecem as coincidências. Há sempre alguém que conhece aquela pessoa de quem evitamos falar. Há sempre um desconhecido que tem algo em comum com a historia de vida de um qualqer conhecido. Há alcool e gargalhadas e 19 anos. Há pontes e cidades e rios. Há carros e solavancos. Há sempre quem se sinta mal. Há quem pergunte as horas e ouça uma resposta do tipo 'é de noite'. Há panikes e pizzas e um barman jeitoso que nos prepara uma vodka. Há homens que criticam mulheres produzidas. E mulheres que criticam homens que não se produzem.
Há autocarros para apanhar. E autocarros que se perdem.
E porque perdemos alguma coisa, encontramos logo outra. E há quem nos encontre também.
E depois há música. E vivências. E uma noite inesquecível, de tão imprevisivelmente sortuda.




quinta-feira, 12 de março de 2009

blargh

Here I am, I'm so young
I know I've been bitter, I've been jaded, I'm alone.


*
a certeza da incerteza faz-me continuar. nesta pulsação parada do que não é, sinto.te comigo. porque sei que as horas desmaiaram, quando fui eu quem empalideceu. porque sei que as horas quebraram, quando fui eu que parei. existir.

só faz sentido quando é a teu lado, neste completa ausência de sentido que me embrulha.

vive por mim.
vive em mim.

terça-feira, 10 de março de 2009

desfocado

É em dias como o de hoje que compreendo a expressão 'o corpo é que paga'.
Porque se a alma já aguenta pouco, o corpo aguenta muito menos.

E é tão bom crescer.

Obrigado por continuarem a não-saber, a meu lado.

*

sábado, 7 de março de 2009

one song to another

Here's the day we hope to never come
Don't feed me violence,
just run with me through roads of speeding cars
All I know is that you're so nice
You're the nicest thing I've seen
But I'm loving angels instead
Am I losing heart? Have I frozen in?
Am I pushing too hard? Have I started to forget?

I wanna show you everything inside of me
like a nervous heart that is crazy beating
And when I kiss you soul, your body'll be free
I'm gonna love you more than anyone
That's why I've been missing you lately
'Cause you make it real for me.
Be my friend, hold me
Wrap me up... Unfold me...
I am small and needy
And all really want from you is to feel me
As the feeling inside keeps building
Lover you should've come over
'cause it's not too late
If it's a broken part, replace it
If it's a broken heart, then face it
I am strong when I am on your shoulders
You raise me up to more than I can be

These days we go to waste like wine
And what a beautiful mess this is
It's like picking up trash in dresses
If I ever hurt you your revenge would be so sweet
because I'm scum
Nobody said it was easy...
Nobody said it would be so hard.

I dont' understand your heart
It's easier to be apart
Don't explain...
You are my joy and you're my pain
I'll be there as soon as I can
but I'm busy mending broken pieces
of the live I've had before
There's hope for the hopeless
But I'm warning you: we're growing up.



[partes de canções, juntas para doer mais]

corpo inteiro


Para mim o
amor
fica-me justo

Eu só visto
a paixão
de corpo inteiro


>Maria Teresa Horta
in Só de Amor

quinta-feira, 5 de março de 2009

necessário, somente o necessário

Valor.
Mais do que notas pousadas numa mesa, ou cartões de crédito quebrados no caixote do lixo, tens valor.
Ocupas um lugar no pedestal reservado aos idílicos, porque sei que nunca serás meu. Serás de facto de alguém? Alguém terá o prazer, a honra, o prodígio, de te berrar um amo-te sufocado de desejo, de te arrancar a alma com o sussurro de um beijo alado? Gostava de ser essa pessoa, de ter esse valor, de ser essa mulher.
Gostava de ser o primeiro número na lista dos 'recentemente utilizados' teu telemóvel. Gostava que acordasses com o meu nome no paladar. Gostava que fosses o reflexo das manhãs, espelhado nos 'bons dias', um sorriso de orelha a orelha na chávena de café. Gostava que fosses o meu almoço, baixo em calorias, recheado de prazer, sem argumentos, discussões, vitórias parvas de boémices. Gostava de viajar contigo sem sair do sitio, deitados com o corpo próximo no sofá da tua sala, o gato parado à entrada da porta, a ouvir-nos miar. Gostava que me levasses a casa ao fim da tarde, bailando de mota no trânsito frenético. Gostava de ser o teu jantar, rico em calorias e prazer, porque se andas no ginásio é para alguma coisa.
No fundo, gostava de ser a ultima pessoa a quem dirias boa noite, mesmo quando não dormisses em mim. Gostava de ser tua, gostava que me desses valor. Gostava que me desses um quarto do valor que tens pra mim. Que realmente pensasses 'será?' antes de adormecer, e acordasses com a certeza de que 'é'.
E pronto, amavamo-nos. Parece simples, não? Mais do que notas pousadas numa mesa ou cartões de crédito quebrados no caixote do lixo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

momentos de son(h)o

Queria acima de tudo saber como vim aqui parar.
Saber por que moro neste quarto, por que respiro esta vida, por que palpito esta dor.
Queria acima de tudo saber porque é que estou .
Saber por que te afasto e me afasto, por que te aproximo e me aproximo, porque fujo e tu não foges.

Queria acima de tudo aprender a lidar comigo, para depois saber como lidar com os outros.
Nem eu sei por que é que choro, como é que vos posso esclarecer esse dilema? Nem eu sei o valor de um sorriso, quanto mais a sua sonoridade...!
Não me conheço, porque a cada momento desvaneço. Recrio-me em cada mudança, aprendo a cada circunstância. E vou adiando a pesquisa ao eu de mim, com a desculpa de que tudo muda.
Queria acima de tudo saber que não há desculpas nem coincidências nem promessas.
Saber que somos filhos do infortúnio destino mentiroso.

Um dia sentei-me nas pedras e senti o sol.
Pude jurar que era o primeiro dia do resto da minha vida. Mas não são todos?

*

domingo, 1 de março de 2009

metodologia dos estudos da esperança II

como é que se começa o segundo semestre?
a assimilar o que o professor diz e a transformá-lo num texto sem sentido. niiiiiice.



Imortal?
Uma música comercial tem (regularmente) 120 batidas por minuto. E um ser humano?
Os batimentos do nosso pulso variam. Dependem

do estado emocional
da intensidade?
da entrega?

da idade
da maturidade?
da experiência?

do sexo
mulheres?
homens?
frequência do acto?


A própria razão é uma paixão, transformando-se no nosso próprio batimento cardíaco. O pulso de um bebé tem aproximadamente 120 batidas por minuto. Um bebé é música. A música é a regressão à batida perdida.

No acto de sentir reside tudo o resto;
estado
idade
sexo

O que nos dá vitalidade é a alternância entre um pulsar forte e um pulsar fraco
PUM pum PUM pum

Vivemos do ritmo.
A chuva ritmando o nosso passo, na cidade.
O passo ritmando o batimento cardíaco.
O batimento ritmando o Ser.

Não vamos reflectir sobre melancolia ou vastidão do espaço. Vamos aproveitar os segundos ao sol, na varanda da nossa juventude. A noite à chuva, quando a esperança de vida era menor e milhões de pessoas morriam daquilo que não nos mata.

'De morte natural nunca ninguém morreu'
A morte é um acidente.
PUM pum PUM pum

*

sábado, 28 de fevereiro de 2009

sobre mim e os desejos

Aqui está um outro desafio. Este vem da parte da Sophia :D
Desafio-vos a todos!


7 coisas sobre mim
1- Adoro dormir mas no fundo raramente durmo mais do que cinco horas por noite.
2- Escrevo pouco, mas quando escrevo raramente faço alterações aos textos, e escrevo-os muito rápido, "à velocidade dos pensamentos".
3- Só ouço música deprimente porque acho que a depressão me tira da depressão (se é que me faço entender)
4- Como mais chocolate do que devia
5- Canto muito mal, mas às vezes canto no duche
6- Tenho uma agenda que raramente uso, porque normalmente nem sei em que dia da semana estou
7- Há quem me chame 'Mary', 'Mi', 'Mia', ou simplesmente 'esgroviada'.


7 desejos
1- Voltar a Inglaterra e a Itália
2- Terminar e publicar um romance
3- Conseguir acabar os projectos que iniciei (este ano)
4- Acabar o meu curso e trabalhar na área
5- Fazer voluntariado em África
6- Conhecer ''o mundo''
7- Ter pelo menos um oitavo desejo.


Um acróstico da pessoa que me enviou o desafio
Ora bem, a Sofia. A Sofia é a melhor amiga do meu padrinho, sendo eu a afilhada do seu melhor amigo. Tem um sorriso encantador e jeito de princesinha. Lembro-me de quando cheguei á faculdade, ela ter sido das primeiras pessoas que reconheci (em fotos que tinha visto). Talvez após o reconhecer venha o conhecer. A começar pelo sonho que talvez partilhemos dia 18/7/09, espero ter muito mais para dizer acerca dela :)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

car-na-val




you can't tell me who to be

and I won't tell you who I am

[!]

domingo, 22 de fevereiro de 2009

algodão gelado colorido de baunilha café

hoje acordei com vontade de comer o mundo às colheradas.
deixar que o sol derretesse na garganta
as nuvens como algodão doce
e a brisa como suave gelado de baunilha.

hoje queria ter pintado os paralelos de outra cor
porque a minha alma não estava cinzenta como nos outros dias deste pavimento.
hoje, só porque é hoje,
queria ter abraçado o mar
como quem saboreia um café com o peso do cansaço.

hoje.
porque amanhã
sei que não vai ser assim.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

Um fim de semana com Nuno Júdice

AUSÊNCIA

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no olhar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.


[in Pedro, Lembrando Inês - Nuno Júdice]

poema bêbedo da mulher sóbria













Gosto da sensação de estar bêbeda de ti
e sentir-te percorrer as minhas veias, quente, sem cessar.


O peso do machado cortando o coração aos pedacinhos
pequenos, pequenos
passíveis de serem digeridos -
Não tenho fome.

São horas de acordar e ainda nem me deitei.
Quero sentir o teu toque na minha pele suave,
gritando, áspero, 'leva-me'.
Tenho as flores do teu olhar nos beijos que me deste
naquele luar rasgado da noite de verão
[ lembras-te? ]
somos feitos de pó das nuvens que passam
e lembranças em lápides de cemitério.

Quero-te hoje, porque não te terei amanhã.
Amar-te-ia amanhã porque não te tenho hoje.

Todos somos uma personagem a dada altura da nossa vida.
Hoje que sou adulta, resolvi desprender-me de tudo,
e ser livre
sem o peso das decisões nem a inconstância dos segredos.
Quero comer gelado de madrugada e beber café antes de adormecer,
fumar depois de pintar os lábios e arranhar as costas de um homem comprometido.
Somos feitos de aço com textura de madeira a arder,
pedintes - mendigos,
insatisfeitos,
teatrais.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

desaFIO

Portanto, um desafio! De uma nova compinxa bloguista, a Jo


«Você diz 9 coisas aleatórias a seu respeito, não importando a relevância.Tendo de ter 6 verdades e 3 mentiras. Quem receber o Meme, deverá postar as 3 coisas que acha serem as mentiras do blogueiro que lhe passou o Meme».


Pronto, aqui vão as minhas verdades e mentiras:
- não tenho uma flor preferida
- já parti um braço ao trepar um pessegueiro
- ando sempre com um caderno ou bloco
- já vomitei em plena praça dos leões
- quando era miúda alimentei um elefante
- costumo adormecer com a tv ligada
- uma vez fui num comboio até braga só para andar a pé com os amigos e voltar
- adoro laranjas
- tenho sempre as mãos geladas



As mentirinhas da Joana... bem... eu podia usar o meu infiltrado para responder às perguntas, mas tem mais piada adivinhar :P
- Adoro kiwi
- Mudei de curso no 12º ano
- Fiz um intra-rail com duas amigas

*


desafio a excelentíssima Cathy Oh,
a natalícia Voluptia
o desnaturado Ferdinand,
a querida Teresa
e todos os restantes :)

tcharan...!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

a thousand pictures



não há duas sem três
[obrigado a ele]


singular de mim









I said maybe
you're gonna be the one that saves me


Precisamos de ser salvos.

Sem toque, o corpo deambula, cravejado de amor.
Nada sobrou dos retalhos que deixaste na soleira da minha porta; suguei-os todos, com alma de quem, desalmado, corrompeu a consciência pelos prazeres da efemeridade.
Apedreja-me. Crava as unhas nas minhas costas e proclama-me tua.
Reclama o pedaço de terra a que tens direito, no lado esquerdo do meu peito.
Não quero pensar que já não me queres, agora que finalmente estou aqui.
Mas a minha consciência grita-me que já te foste, porque nem sempre quem espera alcança, nem sempre quem alcança tem de esperar, e nem sempre que quer alcançar espera.

Precisamos de ser salvos.

Este plural de nós, assassinado pelo singular de mim.
Tenho o sentimento (des)feito em puzzle, e já não sei quem sou, sabendo que um dia soube. Sim, nesse dia de madrugada em que me senti pequena, soube o que era ser grande.
Aprendi a caminhar na terra pura, negando a estrada desbravada. E caminhei no sentido errado, orgulhosa da ingenuidade madura.
Agora, estou de pijama a falar para um teclado de computador, com a alma pousada na secretária e as lágrimas num bolso. Sequei.
De tanto bater meu coração parou,
já dizia não sei quem. Agora percebo. Nunca percebi tão claramente o que significava ser livre.
Ter sem possuir, possuir sem ter.
Amor e Sexo.
Pessoa e Corpo.

Visto que já nenhum dos dois sobrevive, deambulo secreta na cidade das memórias.
Preciso de ser salva, neste singular de mim
para depois salvar o plural de nós.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

deixem-me que vos conte...uma história



porque uma vida não se resume - mas será possível criar o resumo de uma vida...?

porque se uma imagem vale mais do que mil palavras, então mil imagens... ui ui...

e apesar de eu saber que não se agradece,

obrigada a todos os que fazem parte destas imagens!


só para dizer

só para dizer que a minha vida dava um filme indiano, mas sem elefantes.

só para dizer que o meu coração está em pedra,
e eu já devia estar à espera, mas ainda tenho esperança.

só para dizer que este mínimo é o meu máximo, que o teu máximo pra mim é um mínimo,
que somos como dois estranhos numa avenida ao anoitecer onde tudo perde as formas
e somos só contornos da realidade.

só para dizer que perdi as palavras, porque ganhei os gestos.
só para dizer que amanhã (hoje), curiosidade de horário laboral, não trabalho à noite e vou poder jantar sozinha.

só para dizer que preferia não ter calendários, porque os dias são maus, as noites são rudes, a alma é efémera e o corpo já nem tem tempo, espaço, cansaço.

só para não dizer 'fica comigo', porque estar sozinha é bom demais.
só para dizer 'boa noite, mariana', imaginando a tua voz nos meus ouvidos - e depois é todo um outro eco, e adormeço sozinha, com um sorriso no rosto.


feliz dia dos namorados,
aos enamorados,
aos desenamorados,
whatever.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

metodologia de estudos do desespero II

[depois do exame, constatando que das duas perguntas possiveis eu escolhi a pior]

.MAR.iana disse:
tipo eu escrevi duas paginas
.MAR.iana disse:
acho q é demasiado pouco lol
Quiet is the new loud. disse:
eu tenho duas páginas e um quarto pra duas perguntas lol
.MAR.iana disse:
eu fiz sobre os formalistas. tou louca, andei a snifar sombra dos olhos
Quiet is the new loud. disse:
pois, formalistas nem o meu porco da india

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

metodologia dos estudos do desespero

[melp= metodologia dos estudos literários - português]
porque ando tão sem inspiração que só consigo escrever aqui conversas de msn.
porque amanhã tenho exame e esta conversa é a que melhor traduz o meu espírito!

.MAR.iana diz:
a minha vida é uma lixeira com ratos, q sabem mais de melp do q eu
Quiet is the new loud. diz:
ahaha
Quiet is the new loud. diz:
bem visto, minha cara mariana
.MAR.iana diz :
e acredita q para admitir que sou menos inteligente do q um rato...é pq a coisa esta má
Quiet is the new loud. diz:
e pro meu lado, mariana? os ratos riem-se da minha figura
Quiet is the new loud. diz:
o meu porco da india está de oculos a citar todorov.

*

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

a tua capacidade de me fazer sorrir é fabulosa

hell no reason, go on and scream* diz (21:43):
olha olha os the killers vêm a lisboa NO DIA DOS MEUS ANOS!
@filipe. diz (21:43):
Ainda falta Mariana
hell no reason, go on and scream* diz (21:46):
mas ja quase nao ha bilhetes LOL
hell no reason, go on and scream* diz (21:46):
acho q vou :D
@filipe. diz (21:46):
VAAAAAAAAAAAAAAAAI VAAAAAAAAAAAAAAI !
@filipe. diz (21:46):
TU NAO FESTEJES COMIGO , VAAAAAAAAAAAAAAAAAI !
@filipe. diz (21:46):
VAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI !
@filipe. diz (21:48):
E não me mandes videos do concerto como no David Fonseca qe eu atiro o telemovel à sanita -.-'


<3



keep chasing pavements

should I give up
or should I just keep
chasing pavements?!
*

Cada dia uma vítória.
Um suspiro. Um novo horizonte.
Acordamos com a (in)certeza de prosseguir.
Porque tudo vem depois, e tudo acontece no amanhã.
Porque o beijo agora é amor depois.
O grito anteontem foi choro ontem.
O projecto de outrora foi desilusão um dia.

Repercursões.
Reciprocidade.
Reflexos.

Damos e recebemos. Ou não.
Desistir? Não faz parte do vocabulário.
Aliás, é um verbo que nunca deveria ter sido inventado.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

que DIA!

re-escrevendo o desafio que aceitei por sugestão da Cathy Oh


eu comprei o traje.

eu fiz o piercing que queria fazer.


e ainda houve tempo para comer rissóis, ir aos saldos, tirar fotos e encontrar pessoas.

*


domingo, 1 de fevereiro de 2009

manteiga voadora (são duas da manhã, perdoem-me)

Borboletas.
tudo é esvoaçar as asas
num rodopio
de nao saber onde se está
e de querer ir para todo o sítio
que não aqui.



desafios *

Desafiada pela Cathy Oh e pelo Ferdinand
1.Colocar uma foto minha.
2.Escolher um artista ou banda favorita.
3.Responder às questões ,que se seguem, utilizando títulos de canções do tal artista ou banda escolhida.
4.Passar o desafio a 4 pessoas.
1- Foto:



Jason Mraz
És homem ou mulher: I'm yours
Descreve-te: A beautiful mess

O que é que as outras pessoas pensam a teu respeito?: Only Human

Como descreves a tua última relação?: If it kills me

Descreve o estado actual da tua relação: Lucky

Onde gostarias de estar neste momento?: Sleep all day

O que pensas a respeito do amor?: You and I both

Como é a tua vida?: Butterfly

O que pedirias se apenas tivesses um desejo?: Live high

Escreve uma frase sábia: Make it mine

Pois bem, eu devia ter escolhido quatro pessoas, mas como quem eu eventualmente escolheria, também já respondeu, limito-me a deixar em aberto para quem quiser fazer também :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

beija a mim, botão

fui ao cinema!
tenho ido muitas vezes ultimamente, culpa das promoções dos cartões que nos dão para as mãos quando começamos a ter vida própria :P
'muitas vezes' para mim significa em média duas vezes por mês - para quem ia meia duzia de vezes no ano já é bem bom! e o que foste tu ver ao cinema? interrogam-se vocês.
pois bem, fui ver 'the curious case of Benjamin Button',
um filme que fala de tudo, incluindo dos próprios buttons.




são três horas de intensa história.
dois excelentes actores.
a banda sonora também não é nada má.
e damos por nós a desejar contrariar a máxima de vida que é 'rejuvenescer para ter mais tempo para aproveitar'. o Benjamim vem provar o contrário: ele rejuvenesce com dor, porque todos os que ama envelhecem. vai perdendo todos, enquanto se perde a si próprio, pois não há lugar no mundo pra quem retrocede.
no fundo todos fomos feitos para caminhar em frente.
a man like any of us, unable to stop time.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

porque aceitei a sugestão lunar :)

Eu me apaixonei pela pessoa errada.
Eu já me apaixonei pela pessoa certa.
Eu já odiei alguém.
Eu ja tolerei muita gente.
Eu já dei um murro na cara de um rapaz.
Eu já conversei durante horas, sem perder o assunto.
Eu já fiquei em silêncio durante horas, por não ter assunto.
Eu já perdi amigos.
Eu já conheci pessoas fenomenais.
Eu já tive conversas que me mudaram.
Eu já tive conversas parvas.
Eu já passei a noite na praia.
Eu já passei uma noite à chuva.
Eu já andei às voltas de carro, durante a noite.
Eu já fiz 'directas'.
Eu já concretizei o trabalho de um ano lectivo numa só noite e tive 19.
Eu já dormi mais de 12 horas seguidas.
Eu já desmaiei três vezes no mesmo dia.
Eu já fiz um piercing.
Eu já tive o cabelo liso.
Eu já fiz pic-nics num castelo.
Eu já rebolei numa passadeira.
Eu já fumei.
Eu já apanhei uma grande bebedeira.
Eu já curei bebedeiras a amigos.
Eu já fiquei maravilhada com as voltas que a vida dá.
Eu já reprovei a matemática.
Eu já estou na faculdade.
Eu já trabalho.
Eu ja recebi uma rosa (vermelha).
Eu já dei uma rosa (azul).
Eu já pareço ter mais do que dezoito anos (infelizmente).
Eu já apanhei comboios sem pensar no destino, porque me apetecia passear.
Eu já me perdi nas ruas do Porto.
Eu já sou caloira.
Eu já tenho padrinho.
Eu já entrei em fontes.
Eu já perdi a voz.
Eu já chorei à frente de dezenas de pessoas.
Eu já disse 'amo-te'.
Eu já li o mesmo livro três vezes.
Eu já vi o meu filme favorito duas vezes (seguidas).
Eu já dancei danças de salão.
Eu já fiz de joaninha e de porca em peças de teatro.
Eu já fui a Londres e a Roma.
Eu já tive momentos de fraqueza.
Eu já tive momentos de muita felicidade.


Eu ainda não conduzo.
Eu ainda não sei o que quero fazer da vida.
Eu ainda não comprei o traje.
Eu ainda não sei se vou continuar a trabalhar.
Eu ainda não fiz o piercing que queria fazer.
Eu ainda não estudei (este ano).
Eu ainda não li os livros que queria.
Eu ainda não vi os filmes que queria.
Eu ainda não beijei quem queria.
Eu ainda não encerrei certos capítulos da minha vida.
Eu ainda não escrevi o meu romance.
Eu ainda não publiquei um livro.
Eu ainda sei quem sou.


Eu nunca fugi de casa.
Eu nunca comi sushi.
Eu nunca desliguei o telefone na cara de alguém.
Eu nunca gostei do cheiro a laranja.
Eu nunca amei ninguém.
Eu nunca fui amada.
Eu nunca fui boa a desporto.
Eu nunca soube cantar.
Eu nunca neguei uma segunda oportunidade.
Eu nunca desisti à primeira.
Eu nunca soube aproveitar certas coisas como devia.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

mas porque é que eu sou assim...?

Apesar de eu saber à priori que não ia fazer o exame,
entrei na sala (para entregar o trabalho),
olhei para ele,
sentei-me
e aproveitei a folha de rascunho para escrever umas coisas.

[há que tirar partido de todas as situações.]


A mente rodopia, numa miscelânea de sentidos.
Sempre os mesmos verbos (versos?), sempre o mesmo amor (verso?), sempre as mesmas dúvidas (versos?), sempre a mesma inconstância (verso?), sempre o mesmo caminhar sob as palavras como palco de cristal para actuações sem agenda nem vontade ou inspiração.
Verso? Mas o que é afinal a Poesia senão tropeçar nas emoções? É verbo, amor, certeza constante?
Sangue bramado pelo branco, pureza que anseia ser corrompida pelos que nada sabem muito sabendo. Soubesse eu de mim e seriam outros verbos (versos), outro amor (verso), outras dúvidas (versos), outra inconstância (verso), outro caminhar rumo ao reflexo do que não foi e será (verso).
Soubesse eu de mim e esta folha estaria ainda branca. Que é de mim, abandonada ao frio na soleira de uma porta? Entrada para onde, porquê, com quem? Não sei que faça, se nada sei fazer. Mas a caneta não pára, porque nada nunca pára.
Talvez tudo escreva quando julgo que ninguém lê. Talvez a alma precise desses truques para se sentir livre. Talvez tudo seja de facto só m,ais um (outro) verso.
Parei.
No silêncio da sala estende-se um eco que não sei se está realmente lá (aqui). Não pertenço aqui (lá). Pela primeira vez em muito tempo sei onde não estar e ainda que aqui esteja, sinto-me invadida de sabedoria e repleta de serenidade.
Frio? Não.Não faz frio porque já entrei (para onde, porquê, com quem?) e apenas fará frio novamente quando me aperceber de que a entrada nada mais é do que uma outra saída. Aí vou tropeçar, e escrever mais um verso. Talvez mais nu, maior, melhor. Talvez mais repleto de conceitos e regras e ritmo, menor, pior. Talvez deixe de escrever, quando deixar de compreender o que o papel me diz. Talvez deixe de escrever quando deixar de ouvir a caneta chamar. Talvez. Sempre as mesmas dúvidas (versos?).
Sem agenda, sem vontade, sem inspiração. Sou estrangeira do país de mim, imigrante ilegal não falante do português.
O país está velho, abandonado.
Há que ter pulso para erguer ruínas.
Há que ter versos para dar a vida.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

it's Bublé time



porque hoje estou bem disposta e me apeteceu
1. ouvir boa música e saborear bom café sem sair da cadeira
2. recordar o Starbucks e, consequentemente, a minha primeira viagem
3. sorrir aparvalhada a olhar para o ecrã do pc, pois é o que sempre faço quando há michael bublé envolvido


'n'joy!
it's YOU time

:D

espírito natalício

passou um mês
e vivo (morro) de saudade

domingo, 18 de janeiro de 2009

há um ano atrás



[...]

são momentos, são impulsos, são paixões...
cartas, quadros, fotos, flores ou canções...
de luares, mil sóis e dias por haver!
e é tudo sempre o mesmo, tão diferente
que sinto, quero, ouço e prendo tanta gente
e no fim só tu me tens sem eu te ter.


escrito ha sensivelmente um ano atrás...
quando conclui que
'a vida não tem encanto, tem projectos, planos, sortes, azares e coincidências'





*

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

o que tiver de ser será

' a sede evaporou-se como se fosse a própria água'
somos feitos de surpresas.


e por isso mesmo abri um livro ao acaso, mas era um policial e voltei a fechá-lo.
abri um segundo e era o Inferno, de Dante.
'Sempre que de mentira a verdade tenha aspecto, deve o homem até poder cerrar os lábios, para que, sem culpa ter, não haja de que se envergonhar.'
*

domingo, 11 de janeiro de 2009

(...)



ALBUM/XII

[...]

Bem. Agora devia sofrer
cuspir nos espelhos
dos remorsos.
E esbofetear o céu
com gritos de mãos de ossos.

Mas não. Sorrio.
Todos nascemos nus
- condição dos mortos
despidos pelo frio.


José Gomes Ferreira
[Porto, 1900-1985]


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

num dia frio, uma manta e um dvd

o melhor filme. Crash
uma das melhores músicas. In the Deep, Bird York



Thought you had all the answers
to rest your heart upon.
But something happens,
don't see it coming,
now you can't stop yourself.
Now you're out there swimming...
In the deep.

Life keeps tumbling your heart in circles
till you... Let go.
Till you shed your pride,
and you climb to heaven,
and you throw yourself off.

Now you're out there spinning...
In the deep.

30.10.08 / bar (bar)ulhento da flup



lamentos de memórias
lágrimas de vidas passadas
voltam para mim
e sem saber
eu choro.
não sou triste mas tristemente choro
não sou feliz mas felizmente choro
sou humana
e (completamente) sinto
ao rubro
o cair da chuva
neste segundo, fracção de tempo
momento consagrado
em que o bater das horas
envolve o meu passo acelerado
e em que tudo se pensa
tudo se sente
tudo é fado.




*Braga

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

a um artista




'You can grow flowers

from where dirt used to be.'


>kate nash 'merry happy'


recordar é sobreviver




'e enquanto esperava no fundo da rua

pensava em ti

e em que sorte era a tua

quero-te tanto'


verão.
dias loucos.
mudança.
viagens nocturnas, meninos-miúdos.
duas meninas miúdas a cantar a altos berros.

foram noites.

'a vida vai torta, jamais se endireita'
porque é tão bom recordar

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

e ela chamava-se mariana











'esta menina, por onde passa deixa uma marca'
dias assim.


tempo para estar sozinha,
arrumando a cabeça para aprender a estar com os outros.




e assim começa 2009.
virando as costas a 2008*

sábado, 3 de janeiro de 2009

we are family


a primeira foto de 2009 :')



WE ARE FAMILY...


I'VE GOT ALL MY SISTERS AND ME
[menos o Fábio que é 'brother' =P]


*

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

inicio de um outro inicio

o primeiro abraço.
a primeira mensagem.
o primeiro brinde.
o primeiro escandalo.
a primeira gargalhada.
o primeiro adoro-te.
o primeiro telefonema.
o primeiro amo-te.

a primeira noite

de 2009.